Freud e Ford; ouvir e entender

Há uma frase interessante atribuída a Henry Ford: “Se eu perguntasse o que os consumidores queriam, eles diriam ‘cavalos mais velozes’”.

Para bom pesquisador, frase engraçada basta.

Essa é a diferença entre ouvir e entender o consumidor. Quem trabalha ou trabalhou com pesquisa já viu seu consumidor ou usuário estar totalmente frustrado com o produto mas, porque estava num ambiente diferente, comentar algo como ‘Está bom, eu que não soube usar’.

Claro que os consumidores do Henry Ford não queriam um cavalo turbinado. Eles tinham uma necessidade latente de um meio de transporte melhor. Ele foi lá e resolveu isso.

Pesquisas são importantes, mas mais importante do que perguntar ao seu consumidor é saber interpretá-lo. Nielsen diz, por exemplo, que a primeira regra da usabilidade é prestar atenção ao que os usuários fazem, não ao que eles dizem.

E isto não é um conceito novo. O cara da foto acima já sabia disso, por exemplo. Numa sessão de psicanálise, mais importante do que o que você quer dizer, é o que você diz sem querer: atos falhos, sonhos, movimentos, titubeios. Seu inconsciente. É isso que um bom terapeuta tenta entender, e é o que um bom pesquisador deve fazer.

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1/3/11 | Tags: , , , | Comente »

Por que não acredito no The Daily

The Daily é o primeiro jornal diário pensado apenas para o iPad. É feito pela News Corporation (dona da Fox) e acompanhado pela Apple. Não boto fé no sucesso dele.

Achei o conteúdo um pouco quadrado, sem sal – Lucas Mendes no Manhattan Connection definiu o jornal como “muito bonito, mas o conteúdo é titica”. Mesmo que fosse melhor, não me convenceria.

Concordo com a frase da imagem à direita, que eles estampam na home do site: “Novos tempos demandam um novo jornalismo”.

Mas o The Daily quer que você volte no tempo: pare tudo que está fazendo, pegue seu iPad, sente numa poltrona e pare pra ler sobre esportes, economia, fofoca, horóscopo…

Eu prefiro ler sobre isso tudo no PC do trabalho em abas espalhadas pelo meu Chrome enquanto tuito os links de que gostei mais e corro pra terminar a apresentação pro cliente no PowerPoint ao lado.

E quem gosta de parar pra ler seu jornal? Acredito que a boa parte das pessoas vai preferir manter sua leitura na versão impressa. Outros podem mudar para o digital, ok. Mas é nicho do nicho.

Cobrar assinatura e entregar um jornal diário é o mesmo modelo do impresso. Só muda o suporte. E continua sendo menos dinâmico que qualquer portal ou blog e menos profundo que qualquer revista (on ou offline). Além de não servir pra embrulhar peixe depois de ler.

Quem faz o tal do novo jornalismo, de verdade, é o Huffington Post, recém-comprado pela AOL. São os blogs. É o @BreakingNews. É o Guardian, que permite que os blogueiros utilizem seu conteúdo de graça em posts e que se desenvolvam aplicações a partir de sua plataforma aberta. E  - por que não? – os jornaizinhos gratuitos que a gente pega no semáforo.

Update: o Robson Santos me mandou um post dele, bem bom por sinal, sobre as vantagens do jornal digital em relação ao impresso. Estamos em públicos separados: eu não mantenho o hábito de parar para ler jornal, e acredito que isso não voltará a ser mainstream, embora vá sempre ter público. Ele é dos que lêem jornal e migrou do off pro online – quem, neste post, eu chamei de nicho do nicho :P .

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8/2/11 | Tags: , , | Comente »

Baixei gato por lebre mas descobri uma bela frase

Mandei um spam divulgando meu blog pros colegas de Gonow Creative Studio. Eis que o Jeff, diretor de criação, responde: não gostei que você girou 45 graus o Mondrian de fundo.

Minha primeira ideia era responder “Trouxa, é assim mesmo o quadro, achei na Wikimedia.”

Antes de sacanear o chefe fui checar pra ver se estava realmente certo (vai que…). E pimba. Na verdade a imagem do fundo não é do Mondrian, mas sim do também holandês Theo van Doesburg seguindo a escola de seu conterrâneo. Para explicar o que gosta nele, Doesburg usou uma frase que tem tudo a ver com nosso trabalho:

Mondrian sabe a importância da linha. (…) Cada linha supérfula, cada linha em lugar errado, cada cor colocada sem veneração ou cuidado, pode estragar tudo.”

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2/2/11 | Tags: | 2 Comentários »

Cuidado com ‘todo mundo’

‘Todo mundo’ é uma das expressões mais perigosas que existem.

Hoje no metrô uma senhora pediu passagem a alguém na frente dela. O cara então responde ‘não precisa passar, todo mundo desce na próxima estação’.

E de fato um monte de gente desceu ali. Inclusive eu, burro, que devia ter esperado chegar à estação seguinte. Mas nada que sair correndo pela Paulista não resolvesse pra chegar a tempo na reunião com o cliente.

Mas voltando, é muito fácil – e perigoso – generalizar: ‘todo mundo sabe que o logo é link pra home’, ‘todo mundo parou de usar Internet Explorer’, e por aí vai. Porque as generalizações costumam partir do pequeno universo de ‘todo mundo’ pra gente: nossos amigos, nosso bairro, nossos colegas de trabalho, as pessoas que pegam metrô no mesmo horário e descem na mesma estação, e por aí vai.

Cada mundinho nosso é um microcosmo, apenas. E como diz o Jampa, “o mundo não é pequeno, mas a renda é mal distribuída”.

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1/2/11 | Tags: | 1 Comentário »

Really?

Junto com a praticidade, as mil e umas funções e os angry birds dos smartphones, nasceu um problema social: como interagir com os telefones e as pessoas em volta ao mesmo tempo?

O Seinfeld faz piada com BlackBerries:

“Eles ouvem o que você fala e comparam com o que está na tela do BlackBerry, que é bem mais interessante. Será que eu posso pegar uma revista, botar na frente da sua cara e ler enquanto você fala comigo?”

E a Microsoft tenta capitalizar em cima disso com seu Windows Phone 7 Series: eles defendem que a interface (linda, por sinal) é feita para você chegar logo à informação e voltar à sua vida. Ainda não consegui testar um desses e ver se é verdade. Mas o vídeo publicitário pelo menos é bem bom:

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31/1/11 | Tags: , , , | Comente »

Engenharia vende?

Normalmente o marketing trabalha ideias, sonhos, e não materiais ou tecnologia. Coca-Cola é uma bebida da felicidade, não o combinado exato de cafeína, corante e água carbonatada; assim como Nike é muito mais que couro e borracha transformados em tênis na China, e por aí vai.

Mas às vezes é possível ir bem na contramão disso. A Omega, que vende um produto absolutamente dispensável hoje em dia – relógios de pulso – fez um filmezinho com cara de Discovery Channel só pra explicar a tecnologia de juntar a borda de cerâmica ao número feito em Liquidmetal – uma liga metálica que é moldada derretida e pode assumir diversos formatos, e logo mais deve ser usada pela Apple em eletrônicos.

Detalhe do detalhe de um produto dispensável. Mas acho que fez muito bem seu papel de vender a imagem de sofisticação.

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27/1/11 | Tags: , | Comente »

Entrevista de Matias Duarte, diretor de user experience do Android, para o Engadget

Videozinho que o Engadget fez entrevistando o Matias Duarte, que antes de ir para o Google foi o cara responsável pela interface (muito boa, por sinal) do webOS, da Palm/HP, e antes do Sidekick e do Helio.

Abaixo o vídeo (em inglês) e mais abaixo duas coisas que destaquei.

Gosto do que ele diz no comecinho, sobre o mercado de plataformas móveis e seu motivo de ir para o Google:

“O que me motiva, o que venho fazendo por décadas, é fazer os computadores não serem uma porcaria. E eles ainda são. Estão melhores… [mas continuam ruins]. E o Google era uma oportunidade de fazer as coisas melhores numa escala muito maior.

Agora é a hora. Há essa imensa oportunidade. O espaço para computação móvel está explodindo. Me lembra quando eu era uma criança e os computadores pessoais estavam começando, e todo mundo sabia que queria ter um computador em casa, sabia que ele teria um teclado, um monitor. E de repente alguém disse ‘Ei, vamos colocar um mouse nesse negócio.’”

Por fim, gosto da resposta bem-humorada ao comentário do entrevistador, sobre a entrevista estar se alongando pela noite:

“Tudo bem, a gente pode passar quanto tempo você quiser aqui, estamos só em Las Vegas, não tem muita coisa pra fazer mesmo.”

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25/1/11 | Tags: , , , | Comente »

O que quer dizer “Ok” e “Cancelar”?

Muitos diálogos de sistema apresentam botões “Sim” e “Não”, ou “Ok” e “Cancelar”. Nesse caso é necessário ler a pergunta para saber a resposta.

Mas se o botão tem uma resposta mais clara, você não precisa nem ler a pergunta:

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25/1/11 | Tags: , | Comente »

Faz sentido sim

Todo mundo diz que os teens não prestam atenção à mesma coisa por muito tempo, são totalmente multitarefa, etc.

Será que é mesmo por aí?

Resolvi finalmente descobrir o que são os tais videologs de Felipe Neto e PC Siqueira (foto), que por sinal ganharam recentemente programas de TV. Basicamente os vloggers ficam conversando com a câmera. Sem cenário, com um quê de stand-up comedy.

E têm dezenas de milhões de views. Dezenas de milhões. Deve ser mais que a audiência da Rede TV!. E são vídeos que (teoricamente, ao menos) prendem a atenção do público por 8, 9, 10 minutos, com uma câmera só!

E falando em teens, muitos deles têm um costume que não tem cabimento pra quem tem idade de ter usado ICQ: usam a janela do MSN maximizada. Todo o espaço da tela pros diálogos. Quem é multitarefa agora?

É muito fácil (e perigoso) ver superficialmente públicos diferentes. Por isso, por exemplo, tem tanto site pra criança cheio de badulaques por aí. Alguém já perguntou se elas realmente gostam disso?

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25/1/11 | Tags: , , | 1 Comentário »

Olha quem está falando…

Onze de cada 10 publicitários em algum momento reclamam que seu cliente é burro, que ele não entende nada.

Ok, é uma possibilidade.

Mas imagine só: um amigo te diz que uma tal Lorem-Cola é o melhor refrigerante que existe. Você nunca comprou esse, só pegou uma vez por engano mas devolveu para a prateleira a tempo. Então você experimenta e de fato a cola é ótima. O que você pensaria?

  • Eu sou burro mesmo! Nunca pensei em comprar essa marca por pura falta de inteligência.
  • Se eu nunca comprei, provavelmente eles que não souberam me vender.

Se você ficou com a segunda opção, na próxima vez pense se o cliente não sabe comprar ou você que não está sabendo vender. E se você não soube vender a ideia, como vai vender o produto do cliente?

(Mas se você ficou com a primeira opção, talvez seja burro mesmo, aí não tem muito o que fazer).

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24/1/11 | Tags: , , | Comente »

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