Por que não acredito no The Daily

The Daily é o primeiro jornal diário pensado apenas para o iPad. É feito pela News Corporation (dona da Fox) e acompanhado pela Apple. Não boto fé no sucesso dele.

Achei o conteúdo um pouco quadrado, sem sal – Lucas Mendes no Manhattan Connection definiu o jornal como “muito bonito, mas o conteúdo é titica”. Mesmo que fosse melhor, não me convenceria.

Concordo com a frase da imagem à direita, que eles estampam na home do site: “Novos tempos demandam um novo jornalismo”.

Mas o The Daily quer que você volte no tempo: pare tudo que está fazendo, pegue seu iPad, sente numa poltrona e pare pra ler sobre esportes, economia, fofoca, horóscopo…

Eu prefiro ler sobre isso tudo no PC do trabalho em abas espalhadas pelo meu Chrome enquanto tuito os links de que gostei mais e corro pra terminar a apresentação pro cliente no PowerPoint ao lado.

E quem gosta de parar pra ler seu jornal? Acredito que a boa parte das pessoas vai preferir manter sua leitura na versão impressa. Outros podem mudar para o digital, ok. Mas é nicho do nicho.

Cobrar assinatura e entregar um jornal diário é o mesmo modelo do impresso. Só muda o suporte. E continua sendo menos dinâmico que qualquer portal ou blog e menos profundo que qualquer revista (on ou offline). Além de não servir pra embrulhar peixe depois de ler.

Quem faz o tal do novo jornalismo, de verdade, é o Huffington Post, recém-comprado pela AOL. São os blogs. É o @BreakingNews. É o Guardian, que permite que os blogueiros utilizem seu conteúdo de graça em posts e que se desenvolvam aplicações a partir de sua plataforma aberta. E  - por que não? – os jornaizinhos gratuitos que a gente pega no semáforo.

Update: o Robson Santos me mandou um post dele, bem bom por sinal, sobre as vantagens do jornal digital em relação ao impresso. Estamos em públicos separados: eu não mantenho o hábito de parar para ler jornal, e acredito que isso não voltará a ser mainstream, embora vá sempre ter público. Ele é dos que lêem jornal e migrou do off pro online – quem, neste post, eu chamei de nicho do nicho :P .

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8/2/11 | Tags: , , | Comente »

Baixei gato por lebre mas descobri uma bela frase

Mandei um spam divulgando meu blog pros colegas de Gonow Creative Studio. Eis que o Jeff, diretor de criação, responde: não gostei que você girou 45 graus o Mondrian de fundo.

Minha primeira ideia era responder “Trouxa, é assim mesmo o quadro, achei na Wikimedia.”

Antes de sacanear o chefe fui checar pra ver se estava realmente certo (vai que…). E pimba. Na verdade a imagem do fundo não é do Mondrian, mas sim do também holandês Theo van Doesburg seguindo a escola de seu conterrâneo. Para explicar o que gosta nele, Doesburg usou uma frase que tem tudo a ver com nosso trabalho:

Mondrian sabe a importância da linha. (…) Cada linha supérfula, cada linha em lugar errado, cada cor colocada sem veneração ou cuidado, pode estragar tudo.”

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2/2/11 | Tags: | 2 Comentários »

Cuidado com ‘todo mundo’

‘Todo mundo’ é uma das expressões mais perigosas que existem.

Hoje no metrô uma senhora pediu passagem a alguém na frente dela. O cara então responde ‘não precisa passar, todo mundo desce na próxima estação’.

E de fato um monte de gente desceu ali. Inclusive eu, burro, que devia ter esperado chegar à estação seguinte. Mas nada que sair correndo pela Paulista não resolvesse pra chegar a tempo na reunião com o cliente.

Mas voltando, é muito fácil – e perigoso – generalizar: ‘todo mundo sabe que o logo é link pra home’, ‘todo mundo parou de usar Internet Explorer’, e por aí vai. Porque as generalizações costumam partir do pequeno universo de ‘todo mundo’ pra gente: nossos amigos, nosso bairro, nossos colegas de trabalho, as pessoas que pegam metrô no mesmo horário e descem na mesma estação, e por aí vai.

Cada mundinho nosso é um microcosmo, apenas. E como diz o Jampa, “o mundo não é pequeno, mas a renda é mal distribuída”.

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1/2/11 | Tags: | 1 Comentário »

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