Freud e Ford; ouvir e entender

Há uma frase interessante atribuída a Henry Ford: “Se eu perguntasse o que os consumidores queriam, eles diriam ‘cavalos mais velozes’”.

Para bom pesquisador, frase engraçada basta.

Essa é a diferença entre ouvir e entender o consumidor. Quem trabalha ou trabalhou com pesquisa já viu seu consumidor ou usuário estar totalmente frustrado com o produto mas, porque estava num ambiente diferente, comentar algo como ‘Está bom, eu que não soube usar’.

Claro que os consumidores do Henry Ford não queriam um cavalo turbinado. Eles tinham uma necessidade latente de um meio de transporte melhor. Ele foi lá e resolveu isso.

Pesquisas são importantes, mas mais importante do que perguntar ao seu consumidor é saber interpretá-lo. Nielsen diz, por exemplo, que a primeira regra da usabilidade é prestar atenção ao que os usuários fazem, não ao que eles dizem.

E isto não é um conceito novo. O cara da foto acima já sabia disso, por exemplo. Numa sessão de psicanálise, mais importante do que o que você quer dizer, é o que você diz sem querer: atos falhos, sonhos, movimentos, titubeios. Seu inconsciente. É isso que um bom terapeuta tenta entender, e é o que um bom pesquisador deve fazer.

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1/3/11 | Tags: , , , | Comente »

Cuidado com ‘todo mundo’

‘Todo mundo’ é uma das expressões mais perigosas que existem.

Hoje no metrô uma senhora pediu passagem a alguém na frente dela. O cara então responde ‘não precisa passar, todo mundo desce na próxima estação’.

E de fato um monte de gente desceu ali. Inclusive eu, burro, que devia ter esperado chegar à estação seguinte. Mas nada que sair correndo pela Paulista não resolvesse pra chegar a tempo na reunião com o cliente.

Mas voltando, é muito fácil – e perigoso – generalizar: ‘todo mundo sabe que o logo é link pra home’, ‘todo mundo parou de usar Internet Explorer’, e por aí vai. Porque as generalizações costumam partir do pequeno universo de ‘todo mundo’ pra gente: nossos amigos, nosso bairro, nossos colegas de trabalho, as pessoas que pegam metrô no mesmo horário e descem na mesma estação, e por aí vai.

Cada mundinho nosso é um microcosmo, apenas. E como diz o Jampa, “o mundo não é pequeno, mas a renda é mal distribuída”.

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1/2/11 | Tags: | 1 Comentário »

Faz sentido sim

Todo mundo diz que os teens não prestam atenção à mesma coisa por muito tempo, são totalmente multitarefa, etc.

Será que é mesmo por aí?

Resolvi finalmente descobrir o que são os tais videologs de Felipe Neto e PC Siqueira (foto), que por sinal ganharam recentemente programas de TV. Basicamente os vloggers ficam conversando com a câmera. Sem cenário, com um quê de stand-up comedy.

E têm dezenas de milhões de views. Dezenas de milhões. Deve ser mais que a audiência da Rede TV!. E são vídeos que (teoricamente, ao menos) prendem a atenção do público por 8, 9, 10 minutos, com uma câmera só!

E falando em teens, muitos deles têm um costume que não tem cabimento pra quem tem idade de ter usado ICQ: usam a janela do MSN maximizada. Todo o espaço da tela pros diálogos. Quem é multitarefa agora?

É muito fácil (e perigoso) ver superficialmente públicos diferentes. Por isso, por exemplo, tem tanto site pra criança cheio de badulaques por aí. Alguém já perguntou se elas realmente gostam disso?

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25/1/11 | Tags: , , | 1 Comentário »

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